F- Falap

Casa da tribo em Arunachal Pradesh

Muitas pessoas pensam que a cultura indiana do chá tem a ver somente com chai, uma bebida forte, servida quente, com leite, adocicada e às vezes apimentada. Entretanto, a história do chai na cultura indiana é bastante recente: cerca de 100 anos. Com o excesso de produção e as guerras mundiais impactando as vendas de chá, a East India Company decidiu criar seu mercado na Índia. Foi uma campanha agressiva e claramente bem-sucedida. O resultado foi a profusão de chai wallahs nas ruas e a criação de uma nova cultura culinária no chai.

Chai wallahs( o vendedor de chai nas ruas da India)

Contudo, o chá, propriamente dito, tem um passado mais antigo no país. É na fronteira com a China, nos cantos do Extremo Oriente da Índia, que vive a antiga tribo Singpho. Eles são encontrados em partes de Assam e Arunachal Pradesh até hoje. Também são considerados os primeiros consumidores de chá na Índia.

Rodovia entre Assam e Tawang em Arunachal Pradesh-India

É nesta região que a planta do chá Camellia Sinensis cresce como um arbusto selvagem, às vezes tão alto quanto 3 metros de altura. Há relatos de como as pessoas subiam em elefantes para arrancar as folhas. Uma das narrativas menos contadas na História do chá é sobre um soldado escocês chamado Robert Bruce, que chegou a Assam no início do século XIX. Ele parece ter sido uma espécie de aventureiro. Embora os detalhes de sua vida sejam vagos, o que se sabe é que em 1823 ele foi apresentado por Maniram Dutta Baruah, um nobre local (e o primeiro plantador comercial de chá da Índia), a Beesa Gam, um chefe Singpho.

Beesa Gam serviu a Bruce a bebida local e ele percebeu que a bebida do Singpho era um tipo de chá, feita de uma planta igual ou semelhante à Camellia Sinensis. Foi um momento decisivo para a East India Company. Infelizmente, Robert morreu dentro de um ano, mas seu irmão, Charles, continuou seu trabalho. Na verdade, Charles Bruce às vezes é referido como o pai do chá indiano.

O chá Singpho é chamado de falap (também conhecido como phalap).

Uma das aldeias Singpho em Assam é Margherita, onde o falap ainda é feito. Ali, os arbustos de chá crescem sem poda e vários são árvores mais velhas, nativas. As famílias podem colher as folhas de seu quintal. Essas folhas são torradas no ” wok ” e deixadas para secar ao ar livre. Em seguida, são colocadas em cavidades de bambu e colocadas sobre o fogão por alguns meses. Durante esse tempo, as folhas de chá absorvem a fumaça do cozimento, adquirindo o aroma e se tornando compactas na cavidade do bambu. Dentro deste invólucro, podem ser preservadas por até cinco anos.

Invólucro de Bambu-Crédito da foto a Rajesh Singpho
Chá Falap- Crédito da foto a Rajesh Singpho
Chá Falap- crédito da foto a Rajesh Singpho

O falap é bebido puro, sem leite nem adoçante. Às vezes é chamado de chá de moedas, porque pequenas moedas do chá compactado são fatiadas e usadas para preparar um bule.

Alguns chamam o falap de pu-erh indiano, por causa de seus atributos de ser fermentado e envelhecido. Mas fazer isso é descartar a rica história do falap e o que ele representa no mundo do chá.

Edição e Tradução livre: Elizeth R.S.v.d.Vorst

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