Dutch East India Company- Companhia Holandesa das Índias orientais

Engana-se quem achar que os britânicos, por desempenharem um papel tão importante na história do chá, tenham sido os pioneiros no consumo de chá na Europa. O crédito pela introdução do chá na Europa pertence aos holandeses.

A primeira importação de chá para a Europa foi feita pelos holandeses em 1610. Em outra digressão incomum da história popular, esse chá era do Japão, não da China.

As armas da Companhia Holandesa das Índias Orientais e da cidade de Batávia. Por Jeronimus Becx (II), 1651 óleo no painel, Esses escudos apresentam os braços da Companhia Holandesa das Índias Orientais, ornamentados com Netuno e uma sereia, e os da Batávia, flanqueados por leões holandeses. De acordo com a inscrição neste último, a cidade de Jacatra (atual Jacarta) foi “conquistada em 30 de maio de 1619”. Naquele mesmo ano, o governador-geral Jan Pietersz Coen rebatizou-o de Batávia e construiu um castelo com estaleiros, armazéns e escritórios.

A Companhia Holandesa das Índias Orientais(Dutch East India Company)  ou Vereenigde Nederlandsche Oost Indische Compagnie (VOC) foi fundada em 1602, dois anos após a Companhia Britânica das Índias Orientais. Por mais de um século, eles foram a maior empresa comercial do mundo. Eles perseguiram agressivamente o comércio, começando com especiarias antes de mudar o foco para o chá. O chá da China tinha mercado na Holanda, França e até na Suécia. Os holandeses também buscaram uma conquista militar ativa, com grande parte de seu orçamento destinado aos militares. Batávia (atual Jacarta) tornou-se a base holandesa, pois eles adquiriram mais de 20 assentamentos, incluindo Ceilão, Java e as Molucas, dando-lhes acesso a algumas das melhores especiarias do mundo. Também lhes dava uma vantagem no comércio com os chineses – eram produtos que os chineses desejavam. Tendo Batavia como entreposto comercial, os holandeses comercializavam chumbo, tapetes, tecidos e lã para outras nações asiáticas em troca de estanho, pimenta, algodão, cera e especiarias, que a China comprava. Isso significava que os holandeses podiam negociar, em vez de comprar, reduzindo o montante em dinheiro que pagavam pelo chá.

Comerciante Sênior da VOC com sua esposa e um servo escravizado,  Pintura de Aelbert Cuyp . 1650 – 1655 (óleo sobre tela) A figura à esquerda é um comerciante da Companhia Holandesa das Índias Orientais (VOC), provavelmente Jakob Martensen, ao lado de sua esposa. Atrás deles está um homem escravizado segurando uma sombrinha( um pajong) sobre suas cabeças. Este era um símbolo de status na cultura javanesa.O Castelo da Batávia é visível ao fundo. À direita, a frota, pronta para retornar à Holanda. O comerciante aponta para os navios com sua bengala, indicando seu envolvimento.

O monopólio holandês sobre o comércio com a Ásia durou todo o século XVII. O historiador Brian Goodman escreve que em 1684, os holandeses estabeleceram fazendas de chá em Java, Indonésia, usando sementes japonesas. Os leilões públicos também começaram em 1667, dois anos antes dos britânicos.Em 1661, Catarina de Bragança, uma princesa portuguesa, casou-se com o rei britânico Carlos II, trazendo consigo uma caixinha de chá, bebida de que gostava. Portugal, como os holandeses, também havia embarcado no comércio de chá antes dos ingleses. Diz-se que Catarina de Bragança popularizou o consumo de chá e se tornou algo que a elite queria adotar. Ela popularizou o chá. Até aquele momento, o chá estava disponível na Inglaterra, mas taxado em 119% e, portanto, proibitivo para a maioria das pessoas. Portanto, grande parte do chá que entrava era contrabandeado pelos holandeses. Goodman diz que, entre metade até dois terços do chá consumido na Inglaterra durante o século 18 pode ter sido contrabandeado.O chá era o principal produto do comércio da VOC da China. As estalagens e tabernas da Holanda serviam chá, embora ele não tivesse crescido em popularidade como na Inglaterra. Curiosamente, os holandeses não pararam apenas no chá, mas também tentaram recriar os utensílios de porcelana para chá da China. Isso levou à criação da agora famosa louça de cerâmica Delft, uma linha de cerâmicas azuis e brancas distintas.

Porcelana Delft Holandesa

Em 1784, o imposto britânico sobre o chá desceu para uns razoáveis ​​12,5%. No início do século 19, a British East India Company alcançou o mercado de chá, logo se tornando o maior importador de chá, com um mercado interno que o estava absorvendo.

O que aconteceu com os holandeses? Sua queda ocorreu por vários motivos, um deles sendo a reputação de vender chá de baixa qualidade. Outra razão é que eles perderam seus direitos de compra exclusivos com a China à medida que mais países europeus entraram no comércio trazendo mais concorrência. Eles também começaram a negociar diretamente com a China, evitando a Batávia, mas seus navios eram menos rápidos do que outros navios europeus, o que significava que não podiam oferecer prazos mais curtos, que eram muito atraentes para os mercadores.

A VOC holandesa perdeu nas guerras anglo-holandesas, perdeu o monopólio do comércio, de seus assentamentos no Ceilão e em uma época em que a oferta era maior que a demanda, sofreu nos preços porque sua qualidade era ruim. Os holofotes se voltaram para os britânicos, que criaram toda uma indústria alternativa de chá em suas colônias, após desfrutar de uma posição de liderança como importador de chá da China.

Ainda temos um resquício dos dias holandeses: Orange Pekoe, ou OP, uma graduação de folha inteira. O nome”Orange” faz referência à House of Orange, a casa da família real holandesa. O melhor dos chás pretos era reservado para a realeza. Era uma época em que os mercadores holandeses vendiam seu chá como ‘orange pekoe’, um chá que supostamente tinha o selo de
aprovação real.

Assam Borken Orange Pekoe

 

Edição e Tradução livre Elizeth R.S.v.d.Vorst

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